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Ilha Terceira

Ilha Terceira, situada no grupo central do Arquipélago dos Açores, com cerca de 381,96 Km2, é uma das maiores e mais bonitas ilhas do arquipélago. Inicialmente designada por ilha de Jesus Cristo, acabou por ser mudado para ilha Terceira pelo facto de ter sido a terceira ilha a ser descoberta, um facto curioso que actualmente é muito questionado.

O seu povoamento teve inicio por volta de 1450 e as primeiras povoações situam-se nas áreas das Quatro Ribeiras, Porto Judeu e Praia da Vitória, isto porque suas baias eram as mais seguras para o desembarque e exportação de produtos, mais concretamente o pastel e planta tintureira.

Mais tarde o seu povoamento acabou por se estender a toda a ilha, isto pela necessidade de aumentar o cultivo das terras, e de alimentar os animais domésticos.

A ilha Terceira começa a desempenhar um importante papel na navegação, como porto de escala para as naus que traziam riquezas das América e Índias. Aqui se encontravam mercadorias e muitas riquezas de todo o mundo, que fez com que as suas costas fossam alvo de ataques constantes durante séculos por corsários Franceses, Ingleses e Flamengos.

Outro facto histórico de relevo é derivado á crise de sucessão de 1580 onde o Rei Espanhol Filipe II por diversas vezes tentou conquistar a pequena ilha Terceira. Fieis ao pretendente D. António Prior do Crato, o povo terceirense resistiu heroicamente à sua conquista pelos espanhóis.

As lutas liberais levam a Terceira a desempenhar, mais uma vez, importante papel na história de Portugal. Adeptos do partido liberal, os terceirenses, lutaram contra as constantes tentativas de domínio por parte dos absolutistas, segue-se a instalação da regência na ilha e posterior conquista das restantes ilhas do arquipélago para a causa liberal.

O final do séc. XIX e o inicio do Séc. XX caracterizam-se pela construção de um porto na Praia da Vitória, pela existência da importante base aérea, pelo aeroporto comercial, pelo desenvolvimento agrícola e pecuário bem como o desenvolvimento industrial que abre, cada vez mais, novas preceptivas de desenvolvimento á ilha.

Festividades
São realizadas na ilha Terceira inúmeras festas, sendo nos meses de Maio a Outubro, o período com mais actividade, com festas permanentes e onde cor e tradição se misturam fazendo das festas da ilha terceira um ponto de encontro.

São as Festas de São João, mais conhecidas entre os terceirenses por Sanjoaninas, as maiores festas profanas dos Açores.

Estas festas realizam-se do dia 21 a 30 de Junho e tem como patrono São João. Durante estes dias de grande festejo, a cidade de Angra do Heroísmo enche-se de alegria, contagiante a todos os que por lá passam, ao tom das marchas de São João, da arte dos seus carros alegóricos, dos desfiles folclóricos e etnográficos, e muitos outros eventos culturais que representam a forma peculiar de estar e de ser do povo terceirense.

Aqui, á semelhança com as restantes ilhas, também se realiza as chamadas festas de verão, onde a “TOURADA Á CORDA” é uma das maiores festas populares e tradicionais da ilha Terceira e única no mundo.

O movimento festivo das gentes e não só, que enchem o “arraial” da festa, fazem um belo contrasto com o verde abundante da natureza e as muitas cores que ganham vida neste dia tão festivo.

O culto ao Divino Espírito Santo também aqui se realiza, num período de oito semanas que tem o seu inicio na Páscoa até ao domingo da Trindade, havendo, no caso da ilha Terceira, dois tipos de cerimónias: as funções e os bodos.

As funções têm por razão promessas individuais em que, o “imperador” tem a coroa do Espírito Santo em casa por um período de uma semana. Domingo é o dia da Coroação onde, em procissão, vão até á igreja e onde serão realizadas a coroação e mudança de “imperador”.

Os bodos realizam-se no Domingo de Pentecostes e no Domingo da Trindade variando um pouco de freguesia para freguesia.

A festa é também realizada por um grupo de homens designados por “mordomos”, que organizam no dia do domingo, junto ao Império, a distribuição de pão e vinho juntamente com as exibições de filarmónicas e arrematações de alfenim.

Por fim e não menos importante temos as chamadas “Danças de Carnaval”, em que milhares de terceirenses enchem por completo as cerca de 30 sociedades recreativas da ilha. As “Danças de Carnaval” são o maior encontro de teatro popular em língua portuguesa que se faz em todo o mundo.

É um fenómeno tipicamente terceirense, sendo uma excelente oportunidade para quem nos visita apreciar e divertir-se com estas festividades.

Gastronomia
Festa significa comida, por isso tem fama a cozinha tradicional terceirense, que é constituída por uma enorme variedade de pratos, sopas e doces. Como é exemplo a deliciosa e aromática Alcatra, constituída, por carne, toucinho, vinho branco, entre outros maravilhosos ingredientes que fazem parte deste prato. A Alcatra, que depois é servida dentro do alguidar em que é cozida, é acompanhada com massa sovada. Servida em dias de festas, muitas vezes a acompanhar a sopa do Espírito Santo em época do culto ao Divino Espírito Santo.

Não faltam os petiscos como, a “morcela”, as lapas, as cracas ou o vinho de “verdelho” e de cheiro, de que o pitoresco museu do Vinho dos Biscoitos recorda a longa crónica de agrado ao paladar.

Para Ver
Igreja do Santíssimo Salvador da Sé: Edificada em 1570, por ordem do Cardeal D. Henrique, sobre a anterior igreja paroquial construída por Álvaro Martins. Nela está sepultado, entre outros, o provedor das Armadas Pero Anes do Canto. De estilo renascentista e voltada a norte, contrariando o costume antigo das igrejas com a capela-mor virada a Jerusalém, fazem desta igreja uma das mais bela dos Açores. Aqui poderão ainda encontrar painéis da vida de Cristo (pintura sobre madeira, séc. XVI) e uma estante de leitura ao estilo indo-português, testemunho precioso dos Açores como pólo de encontro de culturas.

Castelo de São Filipe/São João Baptista do Monte Brasil: Iniciado por volta de 1596 por ordem de Filipe II de Espanha, envolve todo o Monte Brasil e controla a baia de Angra do Heroísmo e Fanal. Destinado inicialmente à protecção dos navios que ali paravam é muito provavelmente a maior fortaleza portuguesa em todo o mundo, com cerca de 400 peças de artilharia, 4km de muralha; fazem deste Castelo um ponto de referencia a não esquecer.

Hospital da Boa Nova: Talvez o mais antigo dos hospitais militares do mundo, construído expressamente pelo espanhóis para tratamento dos militares em serviço, no então chamado Castelo de São Filipe do Monte Brasil.

Casa de Vitorino Nemésio: Onde nasceu um dos maiores escritores Portugueses, Vitorino Nemésio (1901-1978). Foi Director da Faculdade de Letras de Lisboa, e membro da Academia das Ciências de Lisboa. Ficaram marcadas muitas das suas obras, sendo de salientar “Mau Tempo no Canal”, primeira e única novela escrita pelo escritor; “Paço do Milhafre” e “Canto de Véspera”.

Guia Turístico
Aqui se encontram monumentos e belas paisagens que todos anos, levam milhares de turistas a percorrer e a conhecer os mais pelos pontos que a ilha Terceira tem para oferecer.

A Terceira é sem duvidas uma das ilhas com importante património histórico e natural. Foi aqui que ancoraram os galeões cheios de especiarias vindas do Oriente e da América, cheios de ouro, prata, pimenta, tecidos, e muitas outras riquezas, que tomaram a cidade de Angra do Heroísmo num testemunho vivo, reconhecido como patrimônio mundial (Cidade Patrimônio Mundial pela UNESCO em 1983).

Importa também conhecer a flora endémica (Erica azorica, Laurus azorica, Picconia azorica), as cavidades vulcânicas (grutas e algares), onde se escondem preciosas formações geológicas e organismos vivos endémicos existentes apenas nesta região. A prática da espeleologia ou a simples visitação turística a algumas delas é não é só possível, como recomendável.

Casa da Japoneira (CC)
Quinta da Meia Eira (TR)
Quinta das Buganvílias (TR)
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